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Published on março 13th, 2015 | by ipcf

A Igreja como organismo e Instituição

A Igreja como Organismo e Instituição.

Não há dúvidas que um conceito bem definido de Igreja é fundamental para a melhor compreensão do que realmente significa esse termo. O minidicionário Aurélio ao definir o termo igreja estabelece três significados:

“1- Templo cristão; 2- Autoridade eclesiástica; 3- A comunidade cristã” (FERREIRA, 2004, p. 255).

A teologia sistemática serve-se de várias terminologias para definir a palavra Igreja.

A Igreja Militante: “Na presente dispensação, a igreja é militante, isto é, convocada para uma guerra santa, e de fato nela está empenhada…

A Igreja é Triunfante: Se a igreja na terra é a igreja militante, no céu é a igreja triunfante. Lá a espada é permutada pelos louros da vitória, os brados de guerra se transformam em cânticos triunfais e a cruz é substituída pela coroa.

A Igreja Invisível: Tem-se interpretado variadamente o termo invisível como aplicável – a) Á igreja triunfante; b) A igreja ideal e completa, como será no fim dos séculos; c) A igreja de todas as terras e de todos os lugares, que o homem não tem nenhuma possibilidade de ver; d) A igreja como ela vive nos dias de perseguição, oculta e privada da palavra e dos sacramentos.

A Igreja visível: “A igreja é visível na profissão de fé e conduta cristã, no ministério da palavra e dos sacramentos, e na organização externa e seu governo” (BERKHOF, 2001, pp. 518-520). A Bíblia Anotada discorrendo sobre a doutrina da eclesiologia, conferindo significado ao termo em estudo, afirma que Igreja pode significar: “1) Literalmente, assembleia ou grupo chamado para fora; 2) Em seu uso a palavra Igreja pode se referir: a) À assembleia do povo de Israel (At. 7:38); b) Uma assembleia dos cidadãos de uma cidade pagã (At. 19:32, 39, 41); c) Ao corpo de Cristo (Cl. 1:18); d) A uma Igreja ou assembleia local (I Co. 1:2)” (A Bíblia Anotada, 1994, p. 1641).

A Igreja Presbiteriana do Brasil é definida por sua constituição como segue: “A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de Igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua confissão de fé e os catecismos maior e breve” (Manual Presbiteriano, 1999, p. 8). O conceito de organismo aponta para a igreja como corpo de Cristo: “Em nossos dias, alguns parecem considerar este nome (corpo de Cristo), como uma definição completa da Igreja do Novo Testamento, mas não era esse o propósito do seu uso. Ele dá relevo à unidade da Igreja, quer local quer universal, e particularmente ao fato de que essa unidade é orgânica e de que o organismo da Igreja tem relação vital com Jesus Cristo visto como gloriosa cabeça” (BERKHOF, 1990, p. 513).

Wayne Grudem um conceituado teólogo reformado estabelece um conceito de Igreja mais abrangente quando a denomina como uma: “… Comunidade de todos os cristãos de todos os tempos” (GRUDEM, 1999, p. 715).

Alexander Hodge comentando a Confissão de Fé de Westminster afirma: “A esta Igreja, ou corpo coletivo dos ‘eficazmente chamados’, todas as promessas do Evangelho são endereçadas” (HODGE, A. 1999, p. 422). Ela é descrita como a coluna e fundamento da verdade: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver- te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”(I Tm. 3:14-15). O corpo e plenitude de Cristo: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef. 1: 22-23). A noiva a esposa do cordeiro: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo… Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar- te- ei a noiva, a esposa do Cordeiro” (Ap. 21: 2,9). E afirma-se que as portas do inferno não prevalecerão contra ela: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16:18) (HODGE, A. 1999, p. 422).

Portanto, a Igreja como o corpo de Cristo, deve ser entendida como a comunidade dos fiéis que foi alvo do amor eletivo de Deus antes da fundação do mundo, Igreja que pode ser conceituada como militante ou triunfante, visível ou invisível.

A teologia sistemática faz distinção clara entre a igreja como organismo e instituição: “A Igreja como organismo é o coetus fidelium, a união ou a comunhão dos fiéis, unidos pelo vinculo do Espírito, enquanto que a Igreja como instituição é a mater fidelium, a mãe dos fiéis, uma Heilsanstalt, um meio de salvação, uma agência para a conversão dos pecadores e para o aperfeiçoamento dos santos” (BERKHOF, 1990, p. 521).

“A Igreja como organismo tem existência carismática, nela todos os tipos de dons e talentos tornam-se manifestos e são utilizados na obra do Senhor. A Igreja como instituição, por outro lado, existe numa forma institucional e funciona por meio dos ofícios e meios que Deus instituiu” (BERKHOF, 1990, p. 521). A distinção acima proposta deve ser entendida como algo aplicável apenas a Igreja visível, visto que é um “erro pensar que a Igreja só se torna visível nos ofícios, na administração da Palavra e dos sacramentos e numa certa forma de governo eclesiástico. Mesmo que todas essas coisas estivessem ausentes, a Igreja continuaria sendo visível, na vida comunitária e no testemunho público dos crentes, e em sua unida oposição ao mundo” (BERKHOF, 1999, p. 521). Deve-se entender que, “embora salientando o fato de que a distinção em foco é feita dentro da Igreja visível, não devemos esquecer que tanto a Igreja como organismo como a Igreja como instituição (também chamadas apparittio e institutio – função e instituição tem seu pano de fundo na Igreja invisível” (BERKHOF, 1999, p. 521).

A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil atribui personalidade jurídica a IPB como instituição: A igreja é “pessoa jurídica, de acordo com as leis do Brasil, sempre representada civilmente pela sua comissão executiva e exerce o seu governo por meio de concílios e indivíduos, regularmente instalados. O poder da Igreja é espiritual e administrativo, residindo na corporação, isto é, nos que governam e nos que são governados” (Manual Presbiteriano, 1999, p. 8).

Diante do exposto e considerando a multiplicidade denominacional dos dias atuais, o que fazer para identificar a verdadeira igreja de Cristo? Atentar para suas marcas que revelam afinidade com o Seu Senhor e Rei: 1) A fiel pregação da palavra; 2) A correta ministração dos sacramentos; 3) O fiel exercício da disciplina.

Adilson Lordêlo.

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