Palavra Pastoral reencarnacao2

Published on julho 1st, 2015 | by ipcf

Consulta aos Mortos, Reencarnação e o Ensino das Escrituras

Um dos fundamentos doutrinários mais destacados do espiritismo é a doutrina da reencarnação. Explorada pela grande mídia, de forma especial através das últimas telenovelas da rede globo, essa doutrina ganhou espaço e ibope também na rede mundial de computadores através de cartas psicografadas de famosos como Cazuza, Chorão e Cássia Eller.
As Escrituras tratam a consulta aos mortos como pecado de feitiçaria e apresenta-o como abominação, ou seja, esta é uma prática detestável aos olhos de Deus. O Antigo Testamento está encharcado de informações que ratificam esta verdade. A Lei de Deus proibiu: “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus […] O homem ou mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos; serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles (Lv. 19:31; 20-27)). Nos profetas encontramos inúmeras advertências, dentre elas, esta atribuída ao profeta Isaias: “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is. 8:19-20). Na poesia hebraica, o ilustríssimo Jó discorreu sobre a impossibilidade do estabelecimento de dialogo dos vivos com os mortos: “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura jamais tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o lugar onde habita o conhecerá jamais” (Jó 7:9-10). No Novo Testamento o evangelista Lucas, também advertiu os seus leitores acerca da impossibilidade de tal comunicação: “Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar- se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber- lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse:Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão:Filho, lembra- te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então, replicou:Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão:Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam- nos. Mas ele insistiu:Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu:Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:19-31).
O texto bíblico preferido dos espiritas para justificar a doutrina da reencarnação, encontra-se no evangelho de Mateus: “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o filho do homem ressuscite dos mortos. Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as cousas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; mas, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o filho do homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista” (Mt. 17: 9-13). A ideia defendida é que a passagem ensina que João Batista é a reencarnação de Elias. Segundo a doutrina espírita: “A reencarnação é à volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo, especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, 1985, p. 561).

A interpretação do texto do evangelista Mateus, sugere algumas perguntas que necessitam de respostas: 1) Por que os escribas afirmavam ser necessário que a vinda de Elias acontecesse antes do Senhor Jesus? 2) O que se deve entender com a afirmação do Senhor Jesus Cristo? “Elias já veio e não o reconheceram;” 3) A percepção interpretativa dos discípulos confere suporte para a doutrina da reencarnação? “Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista” (v. 13). Respondendo as perguntas extraídas do próprio texto, é indispensável afirmar que em relação à primeira, os discípulos tinham como fundamento uma profecia veterotestamentaria que se encontra no livro do profeta Malaquias: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml. 4: 5-6). Desta forma, a expectativa dos discípulos estava bem amparada no ensino das Escrituras, pois para eles: “João Batista era Elias, não reencarnado, mas profético, isto é, tinha as características e missão semelhantes” (Série Apologética, v. 2, 1985, p. 77). Por isso, é possível perceber a semelhança existente em seus ministérios: a) O aparecimento de Elias descrito em I Rs 17:1 se assemelha ao aparecimento de João Batista como descrito em Mt. 3:1; b) Elias repreendeu o rei Acabe, casado com Jezabel, mulher idólatra e ímpia (I Rs. 18:17-18), e João Batista repreendeu o rei Herodes por viver com a mulher de seu irmão (Mt.14:3-4); c) Elias foi perseguido por Jezabel (I Rs 19: 2-3) e João Batista foi perseguido por Herodias, mulher de Herodes (Mt. 14:6-8); d) João Batista, interrogado, respondeu claramente que não era Elias (Jo. 1:21); e) Em Mateus 11:13, Jesus afirmou: Todos os profetas e a eles acrescenta João, logo Elias e João não são os mesmos” (Série Apologética, 1985, pp. 77-78). Quanto à segunda pergunta, percebe-se que: “Jesus estava pensando em João Batista, cuja chegada precedera à sua própria, e o qual de uma maneira digna fora seu precursor, abrindo caminho para o seu próprio ministério” (HENDRIKSEN, 2001, p. 238). O Evangelho de Lucas descreve João Batista como segue: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte, será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado” (Lc. 1: 15-17). Em relação a terceira pergunta, observe a semelhança do texto contido no livro do profeta Malaquias, especificamente em 4:5-6, e o cumprimento dessa profecia em (Lc. 1: 15-17). Observou? Pois é possível perceber a luz do texto (Mt. 17: 9-13) utilizado por alguns espiritas para fundamentar a doutrina da reencarnação, que, João Batista foi de fato Elias, não reencarnado, mas profético, ou seja, tinha as características e missão semelhantes, fato provado à luz da própria conclusão chegada pelos discípulos: “Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista” (Mt. 17:13). Se há algo no texto do evangelista Mateus que o Senhor Jesus não teve a intenção de ensinar, foi à doutrina da reencarnação. Nem se deve atribuir aos discípulos, judeus conscientes da proibição a necromancia, a interpretação de que João Batista foi à reencarnação de Elias. Deve-se lembrar que: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb. 9:27).
Portanto, em meio à ênfase da grande mídia, da rede, bem como a pretenciosa ideia de que: “o espiritismo é a terceira revelação da Lei de Deus” (Obras Postumas, p. 1178), não se deve esquecer que: “O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente…” (Na. 1:3). A necromancia na Bíblia é outra forma do pecado da feitiçaria, e a Escritura é clara em afirmar, que seus praticantes não herdarão o reino de Deus: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Ap. 22:15).

Adilson Lordêlo


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